//Faz diferença raça e gênero ao ser remunerado?

Faz diferença raça e gênero ao ser remunerado?

Segundo estudo do Instituto Locomotiva, pessoas com ensino superior, ou seja, com o mesmo grau de escolaridade, têm remunerações diversas de acordo com gênero e raça.

Os dados do infográfico apresentam as rendas médias segundo esses critérios. O caso mais alarmante e indicativo de que há interseccionalidade de desigualdades (raça e gênero) é que homens brancos com ensino superior ganham em média 130% a mais do que mulheres negras com ensino superior.

Uma possível objeção a esses dados seria a de que, embora se considere nível superior como primeiro recorte, diferentes profissões costumam ter diferentes remunerações, o que poderia representar um viés. Todavia, a separação metodológica por profissão não resolve a questão sociocultural que está na base das desigualdades apresentadas: por que algumas profissões são predominantemente exercidas por homens e outras por mulheres? E algumas predominantemente exercidas por brancos e outras por negros?

Se aceitamos (como devemos) o consenso científico das últimas décadas (oriundo também de muitos exemplos concretos e reais) de que não se trata de diferenças inatas, podemos reformular: por que negros, mulheres e, especificamente, mulheres negras têm uma inserção tão pequena em algumas profissões? E ainda, por que tão poucos em posições de gerência e comando dentro das empresas, a ponto de as médias salariais serem tão discrepantes, mesmo que todos tenham ensino superior?

Por fim, somente identificando essas discrepâncias e buscando saná-las com planos de curto e longo prazo é que essas desigualdades, de base sociocultural e com efeitos, por exemplo, na renda média, poderão pouco a pouco serem diminuídas em busca de maior equidade, independente de gênero e raça.

http://www.huffpostbrasil.com/2017/11/16/mulher-negra-graduada-no-brasil-recebe-43-do-salario-de-homem-branco_a_23279872/