//Faz diferença ter acesso a coleta de lixo?

Faz diferença ter acesso a coleta de lixo?

Em nossa série semanal de posts sobre as desigualdades no acesso ao Saneamento Básico no Brasil, trataremos da situação dos objetivos descritos pelo nosso Plano Nacional de Saneamento.

O mais esquecido desses objetivos, a drenagem e o manejo de águas pluviais, ainda não tem nenhum estudo completo lançado pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento. É extremamente grave e sintomático que um país que sofre com tantas enchentes, deslizamentos e perda de rios não tenha até hoje um diagnóstico nacional da situação. Esse quadro vergonhoso, porém, parece estar perto de melhorar, pois está marcado para 18 de Setembro o lançamento do diagnóstico anual de águas pluviais.

A transparência e produção de dados para acompanhar a situação de nossos mananciais é essencial, para evitar que as populações de áreas de risco corram perigo.

Tão importante quanto essas ações, para evitar a epidemia de doenças ligadas ao contato com águas contaminadas, são os serviços de limpeza urbana e coleta de lixo (outro objetivo do Plano Nacional). Nesse ponto houve pouco avanço nos últimos anos no Brasil. Somente 0,3% da população passou a ter coleta de lixo, entre 2013 e 2015, mantendo 7,3% dos brasileiros sem esse serviço básico.

Os números revelam de forma marcante nossas desigualdades regionais: enquanto só 3% das pessoas no Sudeste não tem acesso aos serviços de coleta de lixo, o valor sobe para 14% no Nordeste e 16% no Norte. Pior é a situação das áreas rurais: 15, dos 31,7 milhões de pessoas que moram nas áreas rurais, (assustadores 47,4%) não contam com serviço de coleta de lixo.

Como esperar que nossos rios deixem de transmitir doenças às populações mais pobres, se o governo não se preocupa em produzir dados sobre a situação dos mananciais, e 47% dos brasileiros de áreas rurais não tem como destinar de forma adequada seus resíduos sólidos?