//FAZ DIFERENÇA TER O DIREITO DE TRABALHAR EM OUTRO PAÍS?

FAZ DIFERENÇA TER O DIREITO DE TRABALHAR EM OUTRO PAÍS?

Dos 23 jogadores convocados por Tite para a Copa, apenas 2 atuam no Brasil.

Mas se você não estiver entre os melhores jogadores de futebol do mundo, buscar uma vida melhor trabalhando em outro país não é tão fácil.

Em um “mundo globalizado” no qual dinheiro e produtos não enxergam fronteiras, paradoxalmente o fluxo de pessoas entre nações é fortemente regulado e restrito.

Estudos recentes sobre imigração, de pesquisadores de Harvard e do Center for Global Development, trazem resultados surpreendentes: se os países ricos emitissem mais vistos de trabalho para estrangeiros de países mais pobres, mesmo que em pequena quantidade, o benefício gerado superaria toda a ajuda humanitária global.

Por quê? A chave está no diferencial de salário entre países em diferentes estágios de desenvolvimento.

Para certas atividades, países ricos enfrentam escassez de mão-de-obra, mesmo dispostos a pagar um alto preço por ela, enquanto esta mesma mão-de-obra é abundante em países pobres. Estes dois grupos não se conectam simplesmente porque existem leis que os impede de fazê-lo: os controles de fronteira.

E a diferença não é apenas no salário médio, mas sim no salário de pessoas com mesmas qualificações, gênero e idade.

Por exemplo: um trabalhador brasileiro de 39 anos e Ensino Fundamental completo ganharia o equivalente a R$2,400 a mais por mês se trabalhasse nos EUA – já considerando a diferença de custo de vida entre os países (ou paridade de poder de compra, PPC).

Ou seja: um salário com poder de compra quase três vezes maior (+171%), somente por trabalhar em outro país.

O mesmo se repete, e até em maior magnitude, entre outros países.

Não é a toa que muitos arriscam a vida tentando cruzar fronteiras.

Os estudos recomendam a entrada de imigrantes de forma a elevar em 3% a atual força de trabalho dos países da OCDE – esta pequena escala minimizaria potenciais efeitos negativos, como desemprego ou choque cultural, e ainda assim geraria um aumento de renda total de US$ 156 bilhões, direto na mão das famílias migrantes.

E o custo econômico para os países de destino seria: zero. Como toda a estrutura de imigração já existe, não há custos administrativos adicionais. E as empresas nos países de destino já estão interessadas em contratar estes imigrantes, como mostram os dados – somente não o fazem atualmente por ser ilegal. Como novos pagadores de impostos, o efeito econômico esperado para o governo do país de destino é, na verdade, positivo.

Como imigrantes enviam parte relevante de seus rendimentos para familiares no país de origem – foram US$ 450 bilhões em 2017, em todo o mundo -, fronteiras menos restritas também ajudariam a elevar a renda e a qualidade de vida de milhões de pessoas que vivem nos países de origem desses imigrantes.

Fontes:
– Clemens, M.A., Montenegro, C.E. and Pritchett, L., 2016. Bounding the price equivalent of migration barriers.
– Pritchett, Lant. Let their people come: Breaking the gridlock on global labor mobility. Brookings Institution Press, 2006.