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LGBTfobia na Copa

DIA MUNDIAL DE COMBATE À LGBTFOBIA: Faz Diferença ser LGBT na Copa?

Não é difícil de imaginar um brasileiro que seja louco por futebol. Também não é difícil pensar o quão feliz essa pessoa ficaria se pudesse assistir aos jogos de uma Copa do Mundo ao vivo, nos estádios, e participar de todo o clima que as cidades-sede evento proporciona.

Imagine, então, alguém que consiga, depois de muita economia e muito esforço, comprar as passagens para a Rússia e realizar esse sonho. Foram muitas horas de trabalho e algumas restrições para conseguir o dinheiro para levar a família para o outro lado do mundo.

Agora, pense que, ao chegar lá, essa família seja impedida de entrar no país porque são ilegais. Isso mesmo, eles SÃO ilegais. Eles não cometeram nenhum crime, nunca pisaram na Rússia. Apenas a sua existência viola uma lei nacional. Difícil de imaginar, não?

Essa é a realidade de qualquer pessoa LGBT que queira ir para a Rússia assistir à Copa do Mundo. Essa é a realidade de milhões de russos e russas que são ilegais apenas por serem quem são. Com a aprovação da lei “anti-propaganda gay”, de 2013, qualquer manifestação pública de afeto ou apoio à causa LGBT pode ser punida com prisão. Milhões de pessoas estão tendo que viver suas vidas escondidas ou simplesmente “se calando e desaparecendo”. O vídeo abaixo foi uma mensagem, vinda de militantes LGBT em São Petersburgo e organizado pela ONG All Out, antes da aprovação da lei. De lá para cá, muitas pessoas já foram condenadas por conta dela.

Para a próxima Copa, a FIFA garantiu que nenhuma manifestação de símbolos LGBTs será motivo de punição ou censura em estádios. Mas e fora deles? Qual garantia de segurança LGBTs têm ao sair dos jogos?

Até 1993 as relações homoafetivas eram consideradas crime pelo governo russo. 20 anos depois, uma pesquisa conduzida pelo Centro Russo de Estudo de Opinião Pública apontou que 90% dos entrevistados eram favoráveis a aprovação da lei “anti-propaganda gay”. Ainda que a FIFA tenha endurecido suas políticas de conduta nos estádios, punindo as federações nacionais pelo comportamento de seus torcedores, elas ainda são insuficientes na proteção de LGBTs na sociedade.

A realidade na Rússia mostra que ainda estamos longe de garantir igualdade para LGBTs no mundo. No Brasil, eles continuam sofrendo uma série de violações de seus direitos fundamentais, apesar de não estarmos em uma situação tão absurda como na Rússia (o que precisa ser comemorado e preservado como conquista).

O dia de hoje é só um dia para lembrar que ser LGBT é lindo e que não existe razão para se envergonhar. Ser LGBT não é doença, não precisa de cura. Ser LGBT não pode ser crime, não pode ser justificativa de qualquer violência ou punição. Nenhuma pessoa LGBT precisa ser corrigida. Elas precisam, como todo mundo, de respeito e muito amor.

O Brasil pode até vencer a Copa na Rússia, mas enquanto o ódio e a discriminação prevalecerem, tanto lá quanto aqui, ninguém vai ganhar. Seremos todos perdedores.

https://www.youtube.com/watch?v=ztHZK2ZrlQM

Referências: https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2018/03/russia-permitira-simbolos-lgbt-durante-a-copa-do-mundo.shtml

Esse post foi originalmente publicado em: https://www.facebook.com/faz.diferenca.br/posts/831466493720053