//Manifesto pelo avanço nas políticas de redução de desigualdades no Brasil

Manifesto pelo avanço nas políticas de redução de desigualdades no Brasil

No imaginário brasileiro persiste a ideia de que, por nossas origens, seríamos naturalmente inclinados a uma convivência harmoniosa e equânime entre diferentes grupos: o mito da democracia racial, étnica e cultural. A realidade nos mostra, contudo, que faz diferença ser mulher no mercado de trabalho, ser LGBT para formar uma família, ser pobre para ir ao shopping, ser negro para entrar na Universidade. Não é aceitável convivermos em um país dividido entre privilegiados e excluídos. Precisamos abandonar esse falso mito e assumir uma posição de responsabilidade social. Chegou o momento da juventude impulsionar nossa sociedade a enfrentar seu maior problema: a desigualdade.

O Brasil ainda admite a existência de pessoas sem acesso real aos direitos básicos, sendo incapaz de compreender que os diversos níveis de exclusão interferem no desenvolvimento individual dos brasileiros. A construção de uma sociedade verdadeiramente cidadã e democrática passa, necessariamente, pelo acesso aos meios de inserção no mundo globalizado e competitivo, à moradia digna, à segurança e aos serviços básicos de saúde e educação.

As últimas décadas foram marcadas por conquistas no combate à desigualdade de renda e na garantia de direitos às populações mais vulneráveis. No entanto, ainda estamos distantes de extinguir a persistente marginalização de certos grupos, cujos contornos geográficos, de raça, de gênero e de orientação sexual são bastante evidentes.

Ações voltadas à redução de nossa imensa desigualdade de oportunidades não são uma questão de caridade, pelo contrário, são essenciais para o desenvolvimento socioeconômico do país. Só um entendimento profundo da extensão e do impacto de nossos abismos sociais será capaz de gerar soluções eficazes para combatê-los. É preciso qualificar o debate!

Pautar o tema das desigualdades se mostra especialmente relevante em contextos de turbulência econômica e política, quando a agenda por equidade é colocada em segundo plano. Se é nos momentos de crise que os embates distributivos se tornam mais acirrados, é também nesses momentos que as populações vulneráveis ficam mais frágeis e, portanto, requerem máxima prioridade. Deixar de debater constantemente saídas para as desigualdades brasileiras significa permitir que elas se perpetuem e, até mesmo, se aprofundem.

Nesse sentido, uma juventude que assuma, desde já, o compromisso de estruturar uma agenda política com foco na equidade pode fazer toda a diferença. Essa agenda deve ser fruto de um diálogo contínuo e qualificado, que reconheça as raízes das nossas desigualdades e busque saídas para uma nação com propósito claro: o desenvolvimento humano e econômico necessariamente acompanhado de justiça social.

Nós, jovens, devemos enfrentar a naturalização das desigualdades e mudar a realidade. De forma propositiva, inovadora e fundamentada, podemos construir um país em que todos tenham as mesmas oportunidades. Um país com mais mulheres ocupando cargos de liderança; um país que proteja todos os tipos de relações afetivas; um país que proporcione serviços de qualidade para todos, independente da cor, etnia, religião ou cultura; um país sem cidadãos de primeira ou segunda classe. Faz diferença viver em um país onde todos tenham as mesmas condições de buscar seus sonhos? Faz diferença!