//Mitos do Bolsa Família

Mitos do Bolsa Família

O Mito do vagabundo que recebe o Bolsa Família. Faz Diferença olhar os dados?

Apesar de ser defendido por economistas das mais diversas correntes e quase um consenso entre os políticos do país, nas redes sociais alguns mitos sobre o Bolsa Família continuam sendo tão disseminados quanto eram no início do Programa, 15 anos atrás. Por exemplo, foi muito comum lermos em comentários sobre os nossos últimos posts dessa série que o “Bolsa Esmola” só formaria “vagabundos”, que usariam o benefício para “parar de trabalhar, ter filhos e ir pro bar”.

Como costumamos fazer aqui no Faz Diferença? – Discussões sobre desigualdades, decidimos buscar alguns fatos e dados sobre essa, que é uma das principais críticas ao programa desde a época de seu lançamento.
Dois estudos do Banco Mundial sobre essa questão não deixam margem para dúvida: Estamos diante de um mito, sem qualquer base na realidade.

O primeiro deles, publicado pelo Banco Mundial em 2017, analisa 7 programas de transferências como o Bolsa Família em 6 países diferentes (Honduras, Nicarágua, México, Indonésia, Filipinas e Marrocos) e não encontra qualquer evidência que esses programas afetem a propensão a trabalhar ou o número de horas trabalhadas, tanto entre homens quanto entre mulheres, nesses países.

Se esse tipo de política social não diminui a vontade das famílias em trabalhar, também não aumenta seu gasto com os “bens de tentação” – como álcool e tabaco. Em outro artigo, de 2014, pesquisadores do Banco Mundial coletaram uma grande série de estudos que tratavam de programas como o Bolsa Família e observaram que “entre 44 estimativas de 19 estudos, nós encontramos que quase sem exceção, os estudos ou não encontram impacto significativo ou encontram um impacto negativamente significativo [ou seja, menor consumo de álcool e tabaco] das transferências nos gastos com álcool e tabaco.”

Fica muito claro, com isso, que o estereótipo do vagabundo que toma o recurso recebido por sua esposa do Bolsa Família para gastá-lo no bar e largar o emprego está muito longe da realidade!

Para continuar acompanhando a discussão sobre os principais efeitos do Bolsa Família, e a análise de alguns mitos sobre o programa, siga nossa página e nossas atualizações semanais dessa série especial de posts! Os anteriores podem ser lidos nas outras fotos desse álbum!

Fontes: Evans e Popova (2014) em “Cash Transfers and Temptation Goods” – Working Paper do Banco Mundial e
Banerjee, Hanna, Kreindler e Olken (2017) em “Debunking the Stereotype of the Lazy Transfer Programs” na The World Bank Research Observer