//O Bolsa Família dá o peixe ou ensina a pescar?

O Bolsa Família dá o peixe ou ensina a pescar?

O Bolsa Família escraviza quem o recebe?

Os benefícios relacionados à melhora nas condições de pobreza e desigualdade de renda trazidos pelo Bolsa Família são, no curto-prazo, inquestionáveis. Apesar desse ser o principal objetivo do programa e motivo suficiente para comprovar sua efetividade, um velho bordão continua sendo usado para criticar o programa: o Bolsa Família “daria o peixe, mas não ensinaria a pescar”.

Essa ideia foi colocada recentemente de forma bem menos poética e suave pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, do partido Democratas, ao dizer que o Bolsa Família não seria um bom programa porque “escraviza as pessoas”. Como o Bolsa Família ainda é relativamente recente, ainda não temos disponíveis no Brasil bons estudos de seus efeitos de longo-prazo na população. Mas muitas evidências contradizem fortemente a ideia de que, ao conceder essa pequena transferência aos mais pobres, o governo estaria impedindo que eles desenvolvessem suas habilidades para sair da pobreza de uma forma permanente e se tornarem independentes.

Primeiro, podemos tentar comparar os prováveis resultados do Bolsa Família com o de programas similares ao redor do mundo. Segundo Arup Banerji, o mais antigo desses, o “Oportunidades” (originalmente chamado de “Progresa”) implementado no México, já começou a mostrar resultados positivos de longo prazo em estudos recentes. As crianças beneficiadas pelo programa tem maior escolaridade e se desenvem melhor, por terem sido melhor nutridas durante a infância, e, com tudo isso, apresentariam maiores salários e conseguem mais empregos, que as crianças que não tiveram acesso ao programa.

No Brasil, podemos esperar que algo similar ocorra! Como uma das condições para que as famílias recebam o benefício é exatamente a presença de seus filhos de até 15 anos em ao menos 85% das aulas (75% entre 16 e 17 anos), estudos já mostram que crianças no Bolsa Família tem chances 3,6% menores de faltar na escola, e 1,6% menores de abandonarem os estudos. Além disso, 1,5 milhões de beneficiários do Bolsa Família estão matriculados em cursos do Pronatec, para aprenderem uma profissão.

Todos esses indícios e os exemplos internacionais indicam que sim! O Bolsa Família, além de aliviar a pobreza, ajuda que os mais pobres se tornem independentes e “aprendam a pescar”. Ele cumpre um enorme papel, ajudando a libertar pessoas escravizadas em uma situação de total falta de oportunidades. Ao contrário do que o presidente da câmara argumenta.


Para continuar acompanhando a discussão sobre os principais efeitos do Bolsa Família, e a análise de alguns mitos sobre o programa, siga nossa página e nossas atualizações semanais dessa série especial de posts! Os anteriores podem ser lidos nas outras fotos desse álbum!
Fontes:
https://oglobo.globo.com/brasil/maia-afirma-que-bolsa-familia-escraviza-as-pessoas-22296779
https://istoe.com.br/354751_O+BOLSA+FAMILIA+NAO+GERA+DEPENDENCIA+/
http://brasildamudanca.com.br/bolsafamilia/mitos/
“Evaluating the Impact of Brazil’s Bolsa Familia: Cash Transfer Programs in Comparative Perspective” – de Soares, Ribas e Osório (2010)