//Só a democracia basta para fazer a diferença?

Só a democracia basta para fazer a diferença?

O simples fato de vivermos em democracia significa que os interesses da maior parte da população serão sempre priorizados nas decisões do Estado, certo? Errado.

Estudos demonstram que elites econômicas e grupos organizados têm mais facilidade para fazer valer os seus interesses, inclusive quando eles divergem do interesse coletivo.

No Brasil temos exemplos recentes: tanto a mudança radical da política de preços da Petrobras, fruto de grande pressão dos acionistas da empresa, quanto o subsídio para o preço do diesel concedido após as pressões dos caminhoneiros, foram decisões tomadas em detrimento dos interesses da coletividade, como tratado pelo Faz Diferença? – Discussões sobre desigualdades [2].

Em estudo recente, os pesquisadores Martin Gilens e Benjamin Page demonstraram que na democracia estadunidense a maioria não governa. Quando a maioria dos cidadãos norte-americanos tem interesses divergentes da elite econômica, é a maioria que sai perdendo.

O estudo mostra que a elite tem grande poder de veto: se a maioria dos 10% mais ricos é contra uma política, ela só sai do papel em 18% dos casos. Mas se a maioria dos mais ricos é a favor,ela é adotada 45% das vezes.

Já no caso do cidadão médio, sua opinião não importa: a probabilidade de uma política pública ser aprovada é de aproximadamente 30%, seja o cidadão médio a favor ou contrário a ela!

Como podemos mudar isso? Na campanha#igualdadetemvoto, elaboramos propostas que reduzam desigualdade de influência e acesso ao Estado, reduzindo a influência do poder econômico no resultado das eleições.

Quer contribuir para esse debate sobre as desigualdades e conhecer outras propostas sobre o tema? Acompanhe a página e fique de olho na nossa campanha!

[1] “Testing Theories of American Politics: Elites, Interest Groups, and Average Citizens”. Martin Gilens e Benjamin Page
[2] http://fazdiferenca.com/o-que-a-greve-dos-caminhoneiros-diz-sobre-a-nossa-democracia/